Os monstros se escondem. No fim eles que têm medo. Ficam atrás da porta esperando para dar um susto... Mas... Na verdade seu urro medonho é seu grito de socorro, de desespero.
Eles são criados de tudo que vaza das mentes descuidadas... Saem um pouco de medo, agonia, e por que não, ironia que juntos, formam um Sr. Monstro. O próximo há de se formar de outras combinações de elementos vazados, assim como dos mesmos elementos e combinações porém advindas de pensantes diferentes, o que nos dá um Sr. Completamente Novo.
Sobre o fim e o começo tudo foi dito.
Resta, porém, o espaço quase acima de latifúndios que separa o começo e o fim.
Tudo que há nesse espaço não existe. É, na verdade, de outro mundo. Nesse, não faz mal.
O espaço pode ser... tudo.
Ele é o nada... é um reduto de silêncio e deserto, ausência. Saudade. Quando então, um pensante, que já germinara seu próprio Monstro, decide enfrentar o danado ou simplesmente entrar no banheiro, aí que se dá a epopéia.
E acontecem variadas coisas. Há primeiro as impressões pré-entrada. Todo um preparo emocional-psicológico-espiritual-vital é necessário para abrir com toda a força e muito rapidamente a maçaneta da porta. Existem vezes que ela se torce em sua mão, fundindo por segundos a massa orgânica ao ferro gelado, está trancada. Aqueles pensantes que já estão há muito perdidos dentre seus monstros ou até mesmo quer proteger terceiros de seus demônios, carrega a chave no pescoço.
Da mesma forma visceral que giraste a maçaneta, empurra a porta aplicando a máxima velocidade, de forma que espante, amasse, torture, assuste, desacorde, mate os monstros escondidos.
Acende a luz e olha paranoicamente para todo o banheiro. Abre a tampa da privada delicadamente... (esses monstros gostam de brincadeiras de mal gosto) e utiliza o vaso para suas necessidades fisiológicas.
Ou.
Ou não. Ou chama cada um de seus monstros pelo nome, para tentar, naquele campo infindo fazer uma dança que simbolize uma nova humanidade para essa sua religião perigosa. Chama seus monstros que lhe dizem coisas horríveis que sentiram do lado de cá quando ouviam o barulho dos passos, da maçaneta, do grafite não usado... coisas essas que, na verdade, são belíssimas para o pensante porque ele sentia o mesmo. Exatamente.
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